sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ONDE NINGUÉM FOI

Por Thiago Marimon


Quando Guiña tomou aquele cartão bobo, logo aos cinco minutos de jogo, eu reclamei, "isso não se faz". Mas quando, vinte minutos mais tarde, ele foi expulso, eu apenas suspirei... "complicou, vão recuar". O árbitro exagerou, mas o Cholo abusou da sorte, e se deu mal. Sim, ele também erra, pois, mesmo que não pareça, ele é humano. Neste momento complicado do jogo a turma do desespero já aceitava perder por "apenas" 2x0. Eu só pedia que não esquecessem do Nilmar sozinho lá na frente.

Ainda estávamos no primeiro tempo e nosso solitário atacante já roubava bolas na defesa do Inter, chamando o jogo, buscando curar-se da depressão que o reiterado isolamento lhe causa. Ele precisa da bola, a bola precisa dele e nós precisamos de gols. Após um passe açucarado, Nilmar finalmente a encontra em seu habitat natural, o ataque. É quase uma covardia botá-lo para correr ao lado de Desábato... enquanto nosso querido ex-detento atropela Nilmar dentro da área, D’Ale cerra os punhos comemorando. É pênalti, é gol do Inter. Aliás, é duas vezes gol do Inter, e, se fosse necessário que Alex cobrasse a penalidade dez vezes, Porto Alegre ouviria dez comemorações, tamanha a frieza e categoria de nosso pop-star frente ao goleiro portenho.

Estava assim construído o placar que nos coloca a um passo de, pelo segundo ano consecutivo, ser o único clube brasileiro a conquistar um título internacional. Desta vez de forma invicta.
Tite acertou a defesa, se por escolha tática ou imposição das circunstâncias, não me importa. Embora tenha contado com a sorte de ver cair do céu um zagueiro da estirpe de Álvaro, além de, finalmente, poder contar com um goleiro discreto, a tranqüilidade de nosso sistema defensivo, é inegável mérito do criticado treinador. Esta solidez defensiva, somada a mais perfeita harmonia entre o trio Alex, Nilmar e D’Ale nos dão hoje a nítida proporção do que jogamos fora este ano.

Para sorte dos rivais, mais uma vez, o time se ajeita ao final da temporada. Deixamos a Batalha de La Plata com aquele gosto de "cabia mais", seja pela bola na trave de D’Ale, ou pelo impedimento escancaradamente mal marcado quando Nilmar pintava sozinho com o goleiro. Está acabada a seqüência do Estudiantes de 43 jogos sem derrota em seus domínios. Se um clube é feito de títulos, esse caneco cairá muito bem em nossa sala de troféus. E pensar que teve gente comemorando a desclassificação prematura.

Quarta feira será dia de festa na aldeia. Sim, o Rio Grande vai poder comemorar algo neste segundo semestre, o terceiro título do ano, o terceiro título do Inter. Seguimos flertando com a Sula, a um passo de ir onde ninguém foi.

Saudações Coloradas.

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