quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Arte da Guerra.

Por Marcelo Benvenutti


Eu já desisti de entender o que se passa no reino do Beira-Rio, muito menos o que se passa na cabeça de Fernando Carvalho, Píffero e Luigi à parte, pois todo mundo sabe que quem manda é o Carvalho, e Tite, que ninguém sabe mais o que se esperar. Se fosse o Abel, que é doido, eu até entenderia, mas o Tite, um homem equilibrado e trabalhador, um homem que chora, como Abel também chorava, não tenho mais idéia do que ele vai fazer ou deixar de fazer. Ou tento.

Sun Tzu disse: Em geral o que ocupa o campo de batalha primeiro e aguarda o inimigo está em boa situação; o que chega à cena depois e corre a pelear está cansado.

Viu, Tite, não fui em quem disse, Carvalho. Foi o Sun Tzu que disse. Dois mil e quatrocentos anos atrás. Tem que ocupar o campo inimigo. Ocupar espaços. Para ocupar espaços é certo que o nosso exército, time, quero dizer, deve avançar para cima, não para trás, Tite. Com os espaços ocupados , o adversário que corra para roubar o espaço perdido. Ou seja, que corra atrás da bola.

A ordem ou a desordem dependem da organização; a coragem ou a covardia, das circunstâncias; a força ou a fraqueza, das disposições.

Se o time está desordenado em campo. Se o lateral não sabe se vai ou volta. Se o volante, os volantes, não auxiliam os meias, o meia, a organização da euipe é falha. Se é falha é porque falta orientação. Se o time some nas horas decisivas, é covardia. Se o time tem qualidade, não deveria ter medo. Se não tivesse medo, não fugiria. O medo nasce nos homens que temem perder o que conquistaram. Aqueles que se desapegam, nada temem. As circunstâncias é que fazem as regras, Fernando Carvalho, e não o contrário. Assim, se todos estiverem dispostos, o time manterá suas forças e vencerá. Sempre vence o mais forte, não necessariamente o melhor ou o mais justo. É do futebol.

A invencibilidade reside na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque.

Ataque, Tite. mande o time para frente. Esqueça teu passado e as ranzinices do Fernando Carvalho. A vitória reside no ataque pois, futebol, como diria Dino Sani, é futebol. Não é tênis. Não é dominó. E mesmo no tênis, ou no dominó, se ataca. Ignore a invencibilidade. Defender-se por temer a derrota ou os gols sofridos é como defender a virgindade da filha mais nova. Não existe como. Um dia, ela dará. E não vai ser só uma vez. Nem para um só. Assim também trabalha o retranqueiro. Contra o impossível.

Já quem ataca, joga a favor do possível. O gol sairá. Cedo ou tarde. Claro que não deves esquecer da retaguarda. Resguarda os teus flancos. É por lá que a vanguarda inimiga tentará infiltrar-se. O ponto fraco sempre será encontrado, mesmo que o inimigo não o reconheça logo no começo, ele descobrirá. Ataque ele pelos flancos. Quando um flanco se abre, a defesa inimiga se projeta para um lado e desguarnece o outro. Aí reside o ataque fulminante. Sem defesas. Pelo meio o preço a ser pago poderá ser alto. As baixas, desnecessárias. Os mantimentos, insuficientes. Mas, antes de tudo, Tite, ataque.

E, depois dessa pequena introdução à Arte da Guerra, Tite, espero que te mantenhas no posto, mesmo que a tropa esteja indisposta e a infantaria cansada e faminta. Sabemos que tu como general de brigada também tem suas ordens. Se elas forem néscias ou pusilânimes, ignore-as. A vitória nos aguarda.

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