quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Não quero Sulamericana.

Por Gustavo Foster

Larguem a Sulamericana. Ponham os reservas do time B.

Ou melhor, poupem os reservas do time B, para que eles possam jogar caso algum volante se machuque ou seja vendido. Para que, depois, não tenhamos que usar o Maycon no time titular. Sendo assim, inventem um Inter C e coloquem-no em campo contra a Universidad de Chile. E contra os próximos times, caso passemos de fase. (E passaremos, todos hão de convir).

Mas não seria muito interessante ter na sala de troféus mais um vindo do exterior? A princípio, sim. Olhando para o passado recente, a resposta fica menos fácil. Uma interpretação pode dar conta do desgaste dos jogadores, da divisão de atenção, das viagens estafantes e do calendário apertado. Meus argumentos não se baseiam muito nesse tipo de reclamação, apesar de consistente. Jogar duas competições por óbvio cansa mais e apresenta mais de um alvo, o que dificulta o foco. Desde o conhecimento popular, tira-se que “é melhor fazer um bem feito do que dois pela metade”. E a probabilidade indica isso.

Meu medo recai menos nisso e mais no discurso ensaiado dos dirigentes. Desde o começo do ano, impulsionados pela empolgação do Centenário, palavras de confiança são gritadas de cima do morro. Fiéis – cem mil deles – respondem positivamente. Todos, em uníssono (diretoria, imprensa e torcida), acreditavam que, cem anos após ser fundado, o Internacional tinha chance de vencer os grandes campeonatos que disputaria.

Não havia singular. Quantos campeonatos vamos disputar? Xis? Ganharemos xis mais um. Tudo é o mínimo. Só que não é bem assim.

Esquecemos de combinar com o Palmeiras, com o Corinthians, com o São Paulo, com o Goiás, com o Tit... Com o Grêmio, com o Atlético Mineiro. Se o time do Inter era bom, os outros não eram desprezíves. E o Inter ganhou Gauchão, Copa Suruga, a Copa do Brasil era só questão de tempo. Perdemos.

“Ah, mas somos o único time brasileiro a ganhar um título internacional no ano”, falaram. Sim, eles se referiam a Copa Suruga: “E ainda temos o Brasileirão, no qual entramos como favoritos!”

De fato, continuamos favoritos, faltando menos de 12 rodadas. Estamos a alguns pontos do primeiro colocado, perto inclusive de sair do G4. Mas somos, ainda sim, um dos principais candidatos. Mas aí surge a Copa Sulamericana. No momento em que não vencemos há alguns jogos, caímos duas posições, o Palmeiras se isola na liderança, surge a Competição Tapa-Buraco da vez.

E já aviso de antemão, dirigentes: eu não quero a Sulamericana. Se vier, legal. Mas não faço a menor questão. O que eu quero mesmo é o título que importa, o do Campeonato Brasileiro.

Aliás, só pra vocês não falarem que ninguém avisou: todos já sabem das desculpas. Cansaço, muitas competições ao mesmo tempo, venda de jogadores, erros da arbitragem. Vão entrar pelo direito e sair pelo ouvido esquerdo.

Temos o campeonato nas mãos (mesmo que já tenhamos estado mais perto), nenhum time da ponta parece ter força para chegar ao final com vantagem considerável.

Nós queremos o Brasileirão. E Sulamericana não é Brasileirão.

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